Para espancar basta a vida
Os caminhos da tortura informalmente institucionalizada – dessa forma, não regulada por lei – resultam em atalhos, trilheiras, veredas e tantos outros descaminhos, todos eles imprevisíveis e incontroláveis. Neste contexto surge o caso dos três irmãos operários, trabalhadores braçais, despolitizados e incultos. Criaturas silenciosas, arredias ao significado do voto, afeitos ao cabo da enxada. Seres que, como tantos outros, buscavam no sudeste uma subsistência desesperada, discreta, inodora, opaca. Com tais atributos, à luz das propaladas razões de Estado, eles deveriam passar ao largo das formas institucionalizadas (AI-5, 477, etc.) ou não (tortura, terrorismo de Estado, etc.) de repressão política. O que em verdade ocorreu foi se virem caçados, presos, seqüestrados e torturados em dependências militares, por se envolverem indiretamente com um caso banal de criminalidade numa periferia esquecida pela humanidade e preterida pelos poderes públicos.
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