Labirintos e Palavras
O fato é que a obra literária passa a existir não exatamente a partir do momento mágico em que os escritores designam de "ato criativo", mas na hora em que é lida, quer dizer, quando vem a ser re-criada pela consciência imaginativa do leitor. O escritor se reduz apenas a um instrumento do impulso criativo. Como disse Jorge Amado, no ato de criação, consequentemente, perde-se o controle do enredo e dos personagens. O escritor baiano estava coberto de razão: os personagens têm vida própria, existem por si mesmos, muito além do escritor e do próprio leitor. É óbvio que, no texto literário, pode haver intenções paralelas. As de fundo político-ideológico, social, pedagógico, ou meramente lúdico. Por conseguinte, os rudimentos estéticos, embora essenciais, não são os únicos do texto literário. (Luciano Marinho)
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